Relacionamento

22/07/2025

Com M de sempre

A sizígia nunca mente, e foi assim que eu soube que você iria voltar
Pés descalços e as ondas em sua oscilação de labaredas
No fundo, a roda-gigante era a mesma, um estático cenário que desafiou cronos
E, de algum jeito, eu tinha deixado minha alma aqui – o caminho que me recusei a perseguir certo
Mas então era você
Antecipei as certezas mesmo antes da notificação – ela sempre parecia diferente quando era você, energia telepática fundida em eletricidade
O cheiro doce-cortante que gruda, os passos claudicantes mas firmes, respiração entrecortada de quem se sabe dono e nunca pede permissão
Mas esse terreno nunca deixaria de ser seu
Não me viro, não precisa
Sei que o retorno – se retorno real, do que mesmo distante é perene – só poderia ser você
E eu estou aqui
Como eu não estaria?

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Carolina Palha

Carolina Palha

Editora, mestre em psicanálise das perversões sexuais e afeita à bagaceira. Nunca soube escolher entre praia, dança e Coca-Cola.