07/10/2026
A criança que você foi teria orgulho do adulto que se tornou?
Se você pudesse sentar por alguns minutos ao lado da criança que você foi, o que acha que ela pensaria da pessoa que você se tornou?
Talvez ela fizesse perguntas simples, como: Você é feliz? Você tem amigos? Você gosta do que faz? Você ainda sonha? Você conseguiu fazer aquelas coisas que imaginava quando era criança?
Afinal, a vida adulta costuma nos afastar um pouco dessas perguntas. A gente cresce, começa a trabalhar, paga contas, assume responsabilidades, enfrenta decepções, muda de planos, perde pessoas, constrói relacionamentos, encerra outros e aprende que a vida raramente acontece exatamente como imaginávamos.
Em algum momento, aquilo que parecia tão simples quando éramos crianças começa a parecer distante.
Quando a gente era criança, o futuro parecia mais simples
Quando somos crianças, imaginamos o futuro de uma maneira muito diferente.
Talvez você sonhasse com uma profissão específica, quisesse viajar pelo mundo, morar em determinado lugar, ter uma casa, uma família, muitos amigos ou simplesmente ser feliz.
Alguns sonhos eram enormes, outros eram completamente banais e tudo bem.
Aliás, as crianças não costumam pensar no futuro com a mesma lógica que aprendemos depois. Elas não estão calculando salário, prazo, financiamento, currículo, estabilidade ou o que as outras pessoas vão pensar. Na verdade, crianças simplesmente imaginam.
Você não precisa realizar todos os sonhos que tinha
Existe uma cobrança silenciosa que aparece quando pensamos na pessoa que éramos. Algo do tipo: será que eu me tornei quem queria ser?
Mas, essa pode não ser a melhor pergunta porque você mudou. Os seus desejos mudaram. As suas prioridades mudaram. Aquilo que parecia indispensável aos 10, 15 ou 20 anos pode não fazer mais sentido hoje, e isso não significa que você fracassou.
Quem sabe, você descobriu que não queria mais aquela profissão, que queria mudar de lugar e até desistiu de um sonho que um dia parecia enorme e descobriu outros sonhos no caminho.
A questão não é cumprir uma lista criada pela criança que você foi, mas entender o que existia por trás daqueles sonhos.
O adulto que você se tornou também merece ser reconhecido
Existe uma tendência de olhar para a nossa vida pelo que ainda falta.
O trabalho que ainda não conseguimos, a viagem que ainda não fizemos, o relacionamento que ainda não aconteceu, o projeto que ainda não saiu do papel, a casa que ainda não compramos e o sonho que ainda não realizamos.
E, quando olhamos apenas para o que falta, fica fácil acreditar que estamos muito distantes de quem imaginávamos ser. No entanto, será que a criança que você foi também ficaria impressionada com algumas coisas que você já viveu?
Ela talvez não soubesse quantas situações difíceis você enfrentaria, não saberia quantas vezes você precisaria começar de novo, não imaginaria quantas pessoas entrariam e sairiam da sua vida, não saberia das escolhas difíceis que você teria que fazer. E, ainda assim, você chegou até aqui.
Você ainda reconhece a pessoa que era?
Existe uma pergunta que, para mim, pode ser ainda mais importante do que saber se a criança que você foi teria orgulho do adulto que se tornou: Ela reconheceria você?
Não porque você precise continuar sendo exatamente a mesma pessoa, mas porque algumas coisas talvez valham a pena preservar. Como, por exemplo, a curiosidade, a capacidade de se encantar, a vontade de experimentar, a coragem de imaginar uma vida diferente, a capacidade de rir de coisas pequenas e a vontade de fazer alguma coisa simplesmente porque gosta.
A criança que você foi não precisa controlar a sua vida adulta, porém pode te lembrar de algumas coisas que ficaram pelo caminho.
Talvez você tenha crescido e esquecido de sonhar
A vida adulta é cheia de preocupações concretas, pois precisamos trabalhar, pagar contas, cuidar da casa, da família, dos relacionamentos e resolver problemas.
No entanto, o problema é quando essas responsabilidades ocupam tanto espaço que já não conseguimos responder a uma pergunta simples:“O que eu quero?”
Não o que é mais conveniente, o que esperam de você, o que todo mundo está fazendo e o que parece mais seguro.
O que você quer?
Se você pudesse conversar com ela
Imagine que vocês estão sentados juntos, você conta tudo o que aconteceu. Sejam as coisas boas, as coisas que deram errado, as pessoas que chegaram, as pessoas que foram embora, dos sonhos que mudaram, as escolhas das quais você se orgulha e até das escolhas que faria diferente.
E então ela olha para você. No fundo, ela não quer saber quanto você ganha, quantos lugares você conheceu e nem esteja interessada no tamanho da sua casa, no cargo que você ocupa ou em quantas coisas você conseguiu comprar.
Talvez ela queira saber apenas: “Você é feliz?”, “Você ainda gosta das coisas que gostava?”, “Você ainda tem vontade de descobrir coisas novas?” ou “Você ainda sonha?”
A criança que você foi não precisa ter todas as respostas
E se você fizer essa reflexão, a criança quem você pode olhar para a sua vida hoje e perceba que ela é muito diferente daquela que imaginava. E tudo bem.
A vida não é uma promessa que fazemos na infância e precisamos cumprir exatamente. Nós mudamos, crescemos, aprendemos, erramos, recomeçamos e descobrimos que alguns sonhos eram apenas sonhos de uma determinada fase da vida.
Mas, outros escondiam desejos que continuam importantes. Quem sabe, você ainda queira mais liberdade, tempo, criatividade, amor e até mais coragem.
Crescer também seja aprender a diferenciar aquilo que podemos deixar para trás daquilo que não deveríamos ter abandonado.
No fim, talvez a pergunta não seja: “A criança que você foi teria orgulho do adulto que você se tornou?”
Talvez seja: “Ela ainda conseguiria se reconhecer em você?”
E, se a resposta for não, isso não precisa ser uma sentença. Pode ser apenas um convite para lembrar quem você era, entender quem você é e escolher, daqui para frente, o que ainda quer levar consigo.
Você não precisa voltar a ser criança, mas talvez possa recuperar algumas coisas que aquela criança sabia antes de a vida ensinar você a esquecê-las.
Ouça o episódio completo
No novo episódio do podcast Vem Conversar, conversamos sobre a gente parte justamente dessa pergunta: a criança que você foi teria orgulho do adulto que se tornou?
Falamos sobre sonhos que mudam, expectativas que deixamos para trás, a pessoa em que nos tornamos e, principalmente, sobre a importância de não perder completamente aquilo que um dia fez nossos olhos brilharem.
E, se você conhece alguém que pode estar precisando ouvir essa conversa, compartilhe. Quem sabe, uma pergunta simples pode abrir espaço para uma conversa que alguém estava precisando ter.
Gostou dessa conversa?
Você já se sentiu triste e ninguém percebeu? Ou acolheu alguém em um momento como esse?
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E se precisar, vem conversar.



