23/09/2026
Faça algo por você e para você
Quando foi a última vez que você fez alguma coisa simplesmente porque queria? Não porque precisava, porque alguém pediu, porque seria útil ou até porque estava na sua lista de tarefas. Só porque você queria.
Pode parecer uma pergunta simples, mas, para muita gente, ela não é.
A vida adulta é cheia de coisas que precisam ser feitas. Temos trabalho, contas, compromissos, responsabilidades, família, amigos, problemas para resolver e pessoas que precisam da nossa atenção. E tudo isso faz parte da vida.
O problema começa quando quase tudo o que fazemos passa a existir por alguma necessidade e sobra pouco espaço para aquilo que fazemos simplesmente porque nos faz bem. Por isso, em mais um episódio do nosso podcast, vamos conversar sobre a importância de fazer algo por você e para você.
A gente se acostuma a fazer tudo pelos outros
Pense em um dia comum.
Você acorda porque precisa trabalhar. Responde a uma mensagem porque alguém está esperando. Resolve um problema porque ele não pode esperar. Vai a um compromisso porque marcou. Faz compras porque alguma coisa acabou. Cozinha porque precisa comer.
São pequenas coisas que, juntas, ocupam boa parte do nosso tempo.
Mas, já parou para analisar para saber o que, de fato, você realmente quer fazer naquele dia?
Talvez, você tenha passado tanto tempo pensando no que precisa fazer, no que é mais conveniente, no que é mais produtivo ou no que as outras pessoas esperam de você, Ou seja, vale a reflexão.
Nem tudo precisa ter uma justificativa
Existe uma coisa curiosa na forma como aprendemos a falar sobre as nossas próprias vontades.
Quando fazemos alguma coisa por nós, muitas vezes sentimos necessidade de explicar.
“Eu precisava descansar.”, “Eu precisava sair.”, “Eu precisava ficar sozinha.”
Como se querer não fosse uma justificativa suficiente.
Talvez a gente precise reaprender a dizer:
“Eu quis.”
Eu quis ler esse livro. Eu quis tomar um café sozinha. Eu quis viajar. Eu quis passar a tarde em casa. Eu quis encontrar meus amigos. Eu quis experimentar uma coisa nova. Eu quis não fazer nada.
E tudo bem.
Fazer algo por você não precisa ser grandioso
Às vezes, quando falamos sobre fazer algo por nós mesmos, parece que estamos falando de grandes mudanças.
Uma viagem internacional, um projeto novo, uma mudança de cidade, uma decisão capaz de transformar completamente a nossa vida, mas não precisa ser assim.
Fazer algo por você pode ser comprar aquele livro que está há meses na sua lista:
- Assistir ao filme que você quer ver;
- Voltar a pintar;
- Fazer uma oficina de cerâmica;
- Tomar um café depois do trabalho;
- Sair sozinho;
- Encontrar um amigo;
- Dormir mais cedo;
- Ficar em casa.
Aliás, não precisamos esperar que alguma coisa seja grande o suficiente para merecer nosso tempo.
Até o autocuidado pode virar cobrança
Existe ainda uma armadilha quando começamos a falar sobre fazer coisas por nós mesmos.
A internet criou uma ideia de autocuidado que, às vezes, parece mais uma lista de tarefas. Você precisa fazer skincare, se exercitar, comer bem, meditar, ler, organizar a casa e ter uma rotina perfeita.
De repente, até cuidar de si virou uma cobrança. Mas, autocuidado não precisa ser uma performance, pois até mesmo os gestos mais simples são uma forma de cuidar da gente mesmo.
Talvez, para alguém, fazer algo por si hoje seja sair de casa. Para outra pessoa, seja ficar em casa. O que faz bem para você não precisa necessariamente fazer sentido para outra pessoa.
Você não precisa transformar tudo em produtividade
Também não precisamos transformar cada coisa que gostamos em um projeto.
Nem todo hobby precisa virar uma fonte de renda. Nem todo livro precisa acrescentar alguma coisa à sua carreira. Nem toda viagem precisa mudar a sua vida. Nem todo dinheiro gasto precisa ser um investimento. Nem todo momento livre precisa ser aproveitado da melhor maneira possível.
Às vezes, uma coisa pode simplesmente ser boa porque fez você feliz por algumas horas. Por isso, é importante a gente recuperar um pouco dessa liberdade. A liberdade de fazer alguma coisa sem precisar explicar para ninguém por quê.
Comece pequeno
Você não precisa descobrir agora uma grande mudança que precisa fazer na sua vida, pois pode (e deve) começar pequeno.
Pergunte a si mesmo:
- Onde eu quero ir?
- O que eu quero comer?
- Que livro eu quero ler?
- O que eu quero assistir?
- Com quem eu quero passar meu tempo?
- O que eu não quero mais fazer?
- O que eu gostaria de experimentar?
Quem sabe, uma dessas respostas já seja suficiente para você escolher uma coisa e fazer. Sem transformar isso em meta, ou publicar nas redes sociais, sem justificativa, e fazer só porque você quis.
Ainda existe espaço para você
Sempre haverá contas para pagar, trabalho para fazer, responsabilidades, problemas e coisas para resolver. Aliás, a vida não vai ficar completamente livre para que você finalmente comece a viver do jeito que gostaria.
Por isso, talvez não devêssemos esperar esse momento.
No meio de tudo o que precisa ser feito, ainda existe espaço para você. E precisamos começar a defender isso para que seja uma forma de lembrar que também somos pessoas dentro da nossa própria vida.
Então, eu volto à pergunta do começo: Quando foi a última vez que você fez alguma coisa por você e para você?
Não precisa responder agora, mas reflita sobre isso. E o mais importante: comece a mudar por você.
Ouça o episódio completo
No novo episódio do podcast Vem Conversar, conversamos sobre por que fazer alguma coisa por nós mesmos parece tão difícil e por que sentimos necessidade de justificar até aquilo que nos faz bem. Além de como podemos começar a abrir espaço para nossas próprias vontades no meio da vida que precisa acontecer.
Se essa reflexão fez sentido para você, vale a pena ouvir o episódio completo. Lá, eu compartilho situações do cotidiano e proponho perguntas que talvez façam você enxergar suas escolhas por uma perspectiva diferente.
E, se você conhece alguém que pode estar precisando ouvir essa conversa, compartilhe. Quem sabe, uma pergunta simples pode abrir espaço para uma conversa que alguém estava precisando ter.
Gostou dessa conversa?
Você já se sentiu triste e ninguém percebeu? Ou acolheu alguém em um momento como esse?
Compartilhe sua experiência nos comentários. Algumas histórias podem aparecer nos próximos episódios do blog.
E se precisar, vem conversar.



