09/09/2025
Noites
Existe uma camada ainda mais real que a realidade?, Elizabeth se pergunta já entorpecida pela substância sintética lhe tomando o espaço nas veias e fazendo as vezes de terminações.
Ligações. Conexões. Nova química constitutiva, camada paralela.
Conhecer é um verbo peculiar, não é mesmo, minha querida? A quais camadas e planos ele se refere mesmo? Uma realidade de outra forma percebida, um fugaz pico de realidade, uma realidade crônica – muitas opções.
Cronos impõe seu poder para definir o real? Ou cai – ébrio, até ele – derrotado na queda de braço com Baco, este vil sedutor dos momentos de aguda realidade – quebra do status quo, suspensão epistêmica por excelência? Saber-se camadas, possibilidades, por inserir-se nelas por insistência ou talvez por constituição. Saber-se.
Quanto de conhecimento, de fato, existe no pretenso saber, há de se pensar. Diz-se sabedoria muito mais que a percepção cravada ou a agilidade das conexões, mas a paciência para a resignação.
Já se perguntou o porquê, enquanto o líquido viscoso te muda a homeostase? Bom, eu me pergunto, sempre e sempre, toda vez que, por abertura voluntária de seus mundos, ele te insiro enquanto nos olhos de vírgula que se muram para os meus vejo mais mundos do que gostaria. Mas estou sóbrio, como sempre, esta é minha condenação de toda uma existência – de várias em uma, para ser exato.
Então talvez para mim a única substância possível de me dar qualquer diversa realidade continue sendo aquela velha conhecida de sempre. O óbvio indevassável você.
Nenhum segredo jamais me pertenceria, muito menos aquele diário seria de fato meu.




